Hoje doí-me existir. Ficar aqui neste sitio corporal que sou, enche-me de algo incompreensível como isto: a minha alma rejeita meu corpo como a cara a um piercing. Mas eu não escolhi existir, tal como não pude de facto escolher tudo que me aconteceu e fiz até hoje. Sou fraco perante mim como qualquer um, necessariamente, todos são. A vida passa e não me sinto ir com ela como um comboio no qual não entro por motivo nenhum. É isto morrer?
A faculdade virtuosa de ter paciência para mim parece impossível de atingir. Quero-me mais rápido, melhor, mais vivido, mais completo e quero-o tudo duma vez. Não há história mais bela de mim no mundo que a de não existir. E neste dia de sol e calor, em que já não compete ao sol acalorar desta maneira o dia, sinto-me sem temperatura... e não cumpro senão, além de estar vivo, o meu papel na Terra. É tudo que me peço e não trago surpresas, nem dias mais quentes a ninguém. Não me agrado. Não me aqueço, sou tudo o que não fiz sem fazê-lo, devo ser provavelmente uma pessoa imaginada.
14/10/2015
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
A que devo a minha apatia por mim? ao que já sofri? ou ao tudo que me falta viver face ao nada que vivi? Parece haver sempre mais, ao pensar na vida, que ao vivê-la. Se hoje estivesse para morrer amanhã, tudo o que faria no tempo que restasse seria mais que a minha vida. O que me resta então senão sentir o meu corpo impotente face à minha mente, ao meu sentir que o mundo que tenho é-me indiferente.
Não especto mais por nada, que venha de bom ou de mau, apenas a minha mente me alegra e o meu pensar me doí. Nem um amor oferecido de bandeja me faz sentir mais amado que com quem imaginando a ser amado esteja. Ainda que o aceite, sempre.
Nem a maior desilusão a que os mais próximos amigos estão propensos me causa uma inquietude tão grande quanto a de perder meus livros. Ainda que não sofra ao perdê-los.
Sei tão bem porque sou a minha doença, que só existe quando sobre ela a minha mente pensa que não sou um individuo de mim mas um de pertença. E todo o social divertimento que passo com amigos me deprime em solidão, ainda assim me arrisco a ter amigos e me dou de coração. Eu sou não querendo ser, aposto em ganhar quando sei que vou perder,o caminho de tudo já sei onde vai ter e sinto-me sincero quando estou só e sou apático na minha exclusiva presença sei tudo isto firmemente e ainda assim para outros lado pende e domina a minha mística crença de que tudo o que sinto e existe vai além da minha vivência.
14/10/2015
Não especto mais por nada, que venha de bom ou de mau, apenas a minha mente me alegra e o meu pensar me doí. Nem um amor oferecido de bandeja me faz sentir mais amado que com quem imaginando a ser amado esteja. Ainda que o aceite, sempre.
Nem a maior desilusão a que os mais próximos amigos estão propensos me causa uma inquietude tão grande quanto a de perder meus livros. Ainda que não sofra ao perdê-los.
Sei tão bem porque sou a minha doença, que só existe quando sobre ela a minha mente pensa que não sou um individuo de mim mas um de pertença. E todo o social divertimento que passo com amigos me deprime em solidão, ainda assim me arrisco a ter amigos e me dou de coração. Eu sou não querendo ser, aposto em ganhar quando sei que vou perder,o caminho de tudo já sei onde vai ter e sinto-me sincero quando estou só e sou apático na minha exclusiva presença sei tudo isto firmemente e ainda assim para outros lado pende e domina a minha mística crença de que tudo o que sinto e existe vai além da minha vivência.
14/10/2015
Encontrei, no meu primeiro relacionamento sério, ou o mais sério possível para um adolescente, o significado e a vivência duma paixão, tudo era possível entre nós, tudo tinha uma acordo, até o inconciliável e tudo isso era firmado sempre com sexo e o pós-carinho que normalmente nos conforta depois de nos darmos tanto e tão animalescamente. Fui traído e tudo caiu.
No meu segundo relacionamento, já mais sério, mas ainda da ordem de inconsciência de onde provêm os sentimentos de apego face à solidão que sentia, aprendi o sacrifício e a devoção, o preocupar-se com o outro mais que consigo, o meu quase ideal "amante perfeito"- apesar de não o ter chegado a colocar em prática e talvez tenha sido esse o motivo do fim, acrescentando a minha incapacidade de lidar com a rejeição, ainda que fosse um pedido inconsciente de ajuda.
No meu terceiro relacionamento, este já assumido de consciência na sua génese, por ter sido uma transmutação de amizade a amor, não lhe pude ter coerência do mesmo género ao longo dele, pelo sentimento de culpa por ter o anterior partir, fiz tudo o que pude para me manter perto dela e ela perto de mim. A um ponto que se tornou ineficaz fazê-lo, se é que alguma vez foi. Aprendi sem dúvida o valor do espaço próprio na relação, da individualidade face à partilha que é amar, pude ver em mim a mutação em o tal "amante perfeito", ainda que se tornassem depois evidentes os erros desse meu ideal.
Com isto tudo compreendido, firmei recentemente a minha posição para com o amor (pode ser que seja recente face ao quão novo é o trauma);a de distanciamento. Não porque sofri demais, além daquilo que amar me poderia fazer feliz, mas porque me prende a criação artística. Amar é uma criação constante. Agora sou adepto da paixão porque ela nada me pede a não ser que me entregue, tal como a minha adorada poesia.
12/10/2015
No meu segundo relacionamento, já mais sério, mas ainda da ordem de inconsciência de onde provêm os sentimentos de apego face à solidão que sentia, aprendi o sacrifício e a devoção, o preocupar-se com o outro mais que consigo, o meu quase ideal "amante perfeito"- apesar de não o ter chegado a colocar em prática e talvez tenha sido esse o motivo do fim, acrescentando a minha incapacidade de lidar com a rejeição, ainda que fosse um pedido inconsciente de ajuda.
No meu terceiro relacionamento, este já assumido de consciência na sua génese, por ter sido uma transmutação de amizade a amor, não lhe pude ter coerência do mesmo género ao longo dele, pelo sentimento de culpa por ter o anterior partir, fiz tudo o que pude para me manter perto dela e ela perto de mim. A um ponto que se tornou ineficaz fazê-lo, se é que alguma vez foi. Aprendi sem dúvida o valor do espaço próprio na relação, da individualidade face à partilha que é amar, pude ver em mim a mutação em o tal "amante perfeito", ainda que se tornassem depois evidentes os erros desse meu ideal.
Com isto tudo compreendido, firmei recentemente a minha posição para com o amor (pode ser que seja recente face ao quão novo é o trauma);a de distanciamento. Não porque sofri demais, além daquilo que amar me poderia fazer feliz, mas porque me prende a criação artística. Amar é uma criação constante. Agora sou adepto da paixão porque ela nada me pede a não ser que me entregue, tal como a minha adorada poesia.
12/10/2015
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Procuro ser outros: os mais simples, os mais caóticos, mais longe de si mesmos e próximos dos outros, os melhores inseridos no mundo social e interpessoal- não por ser assim que quero ser intimamente mas somente pela curiosidade que certos, deste grupo maioritário, de indivíduos despertam pelo extremo em que se vivem. Quero sê-los para poder sê-los "melhor", ainda que só para mim, sem o praticar. Quero sê-los então em sentimentos, emoções, pensamentos e crenças para que possa escrever universalmente como eu sou como todos de maneira que todos que ser queriam entender me entendem.
Falo em poesia a linguagem da dor que em todos existe, a conquista de si mesmo, o método de atingir isso; consequentemente pelo gosto da análise e a importância que dou a todas as pequenas partes de um todo: as nuances de ir-se sendo, os avanços e especialmente os retrocessos no caminho da auto-descoberta e disto tudo parte o meu principal foco ao escrever: o sentir-se pouco si mesmo quando se busca precisamente isso, o recriminar-se por ver que se ainda é o que não se quer ser e a realização quase fria e distante de que nada disto importa, que é só mais uma forma de se dar bem no mundo mas neste caso no dar-se bem no seu mundo.
12/10/2015
Falo em poesia a linguagem da dor que em todos existe, a conquista de si mesmo, o método de atingir isso; consequentemente pelo gosto da análise e a importância que dou a todas as pequenas partes de um todo: as nuances de ir-se sendo, os avanços e especialmente os retrocessos no caminho da auto-descoberta e disto tudo parte o meu principal foco ao escrever: o sentir-se pouco si mesmo quando se busca precisamente isso, o recriminar-se por ver que se ainda é o que não se quer ser e a realização quase fria e distante de que nada disto importa, que é só mais uma forma de se dar bem no mundo mas neste caso no dar-se bem no seu mundo.
12/10/2015
Sei bem quando
a noite vem,
tudo em mim
se acalma
pela falta de
calor do sol
e tudo em
mim se
a noite vem,
tudo em mim
se acalma
pela falta de
calor do sol
e tudo em
mim se
agita
como o
estático
estático
vibrar das
sombras
sombras
à luz da lua
que me dão.
que me dão.
A noite vem
e de tudo o
e de tudo o
que nela
existe
só tenho medo
existe
só tenho medo
do que sempre
existiu em
mim.
mim.
Não tenho mais
que uma escuridão
cá dentro, que
quando escurece
tenta juntar-se
à noite, rasgando-me
no processo.
Tenho em mim
ao anoitecer
simulacros
de morte.
Vozes barulhentas
que se fazem
ouvir como
que uma escuridão
cá dentro, que
quando escurece
tenta juntar-se
à noite, rasgando-me
no processo.
Tenho em mim
ao anoitecer
simulacros
de morte.
Vozes barulhentas
que se fazem
ouvir como
um lobo uivando
à lua um
lugar distante,
tão longe de mim
que nem lhe posso
ter a certeza de ter ouvido.
Pode ser só o vento
a passar, posso
só ser eu por onde`
o vento passa
ecoando o meu
à lua um
lugar distante,
tão longe de mim
que nem lhe posso
ter a certeza de ter ouvido.
Pode ser só o vento
a passar, posso
só ser eu por onde`
o vento passa
ecoando o meu
vazio.
Mas estará
esta doente
Mas estará
esta doente
escuridão
no âmago
no âmago
de quem sou
e parece longe
e parece longe
porque não me
conheço ou
será somente
o lugar longínquo
para onde atiro
tudo que não
consigo lidar?
A noite trás tensão
e libertação
porque tudo o que
é fica simplificado
a sombras e caras
mal iluminadas
preocupando o
meu desconforto
por ser demasiado
fácil de olhar
o mundo e
ainda sentir
o calor do sol
guardado na
pela.
Paixão é isto
mesmo.
Saudade é isto
também.
Este sou
eu à noite,
escrevendo-me
de dia.
E só tenho pena,
sem ter pena
nenhuma que
seja um bicho
do dia, uivando
à lua, pedindo
à lua, pedindo
um pouco de
sol
porque eu
ou a noite
somos demasiado
frios.
frios.
11/10/2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)