domingo, 16 de fevereiro de 2025

 5 de Março de 2024

Agora tou a fumar cigarros, as ganzas sabem-me melhor depois.
Hábitos alegram-me e entristecem. Não sei porque pratico algo extremo e m extenua. Enfim, não precisa ser extremo, eu preciso de mudanças. E é das mais subtis do que das mais amplas mudanças. Aprender a dançar ou o vestir doutro jeito a minha roupa de ser e estar, representar outro dos meus personagens.

Diz dez de Março, eleições legislativas ó caralho, a Direita pode ganhar boa maioria com os radicais a comporem quase metade de maioria. Vou votar o que for mais útil para contrapor essa Direita chata e perigosa. Para a frente e para trás, devem ser ciclos como o TK diz para se tranquilizar um pouco e fazer sentido de tudo, das mudanças do mundo, das pessoas.

Tenho a cidade em construção a entrar-me pela janela. Céu azul solarengo, sugestões de nuvem, não noto temperatura, no meu nariz passa ar sem cheiro na língua café adocicado com o sabor de amêndoa.
Quando fecho os olhos e retiro os sonso dos pardais e dum cão ao longe ladrando, sobra obras, o zumbir grave do frigorífico, alarmes de carros e buzinas, ventoinha de extração de fumo e mais ao fundo, como primeira camada pneu de borracha com uma tonelada em cima rolando pesadamente sobre o alcatrão duro, esburacado.
E agora chega o meu pai a casa, mete um corte dum podcast e mata completamente o momento que não estava a conseguir envolver-me com, são as vozes de quem quer ser ouvido sobrepondo a que eu quero ouvir e não tem som físico. Preciso dum silêncio, mais que ganzas, danças, Esquerdas, tendo tudo isso continuo a saudar um silêncio melhor.

 6 de Março de 2024

De manhã à noite, penso obsessivamente os mesmo assuntos,
os mesmos problemas, uso mecanismos repetidos para analisar e decidir sobre cada dia. Dificilmente consigo pará-los, trabalhar ajuda mas não engano, assim que saio cai-me a mesma consciência de situação.
Pressão cria diamantes mas destrói praticamente tudo que me importe. Vou persistir e resistir pois isto vale o mesmo que o oposto, tudo somado no meu último dia pouco vale. Há tantos mais. Olhos, paisagens, dinâmicas, sons, ambientes, reações, teorias, livros, conversas, pensamentos, a ausência deles. Há demasiado.
Mas as pessoas costumam ser pequenas e picuinhas, não me lembro facilmente de alguém que não seja sua maioria assim, não acho que haja problema algum em ser-se pequeno e picuinhas mas talvez passe a haver se isso não lhe prover o suficiente. Temos em valor demasiado elevado a intensidade. Cremos que quanto mais intenso mais verdadeiro e moldamo-nos a essa verdade. Esgotamo-nos ao tentar preencher-nos. Poucos esgotados se preenchem com as coisas que os deixaram esgotados, ainda assim buscam-lhes intensidade, como se de suficiência/pureza se tratasse. Ligações humanas mais puras, intensas e assim verdadeiras. Mas esgotados, ou quase, nem consigo conseguem ligar-se intensamente, a não ser pelo esgotamento que sentem.
A intensidade vale em nós.
O que é o fundo duma mente num corpo minimamente são?

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A vida é naturalmente
injusta.
Acima disso só
necessariamente.
Não há indignação
nisto, em saber
isto, em senti-lo,
em vê-lo repetido
como os padrões
e razões matemáticas
e geométricas que
compõe tudo;
nem há assim
tanta necessidade
de perguntar "porquê?"
especialmente depois
de saber a resposta.
A vida ser injusta
é um facto desprovido
de associações de maldade
no mundo, falta de propósito
no seres humanos
ou até de felicidade,
ela simplesmente é-o
tal como eu sou como
sou e tudo resto
além disto são
humanidades, pequenas
partes do todo que é
o mundo.
Até as obras de arte
grandes, magnas e
complexas que albergam
muita da essência do
homens são pequena
parte da vida.
E todas as considerações
sobre a vida ser injusta,
limalhas da sua
grandiosidade
até porque a injustiça
é também uma pequena
parte da vida.
Então que sou eu
que penso com poderes
de microscópio quando
sinto isto mais importante?
Tendencioso?
Cego sem balança?
Se calhar
injustiçado?
Ahahahaha....

Só penso nisto quando
reflicto profundamente
à procura dum sentido
e ordem a tudo que
sinto e me deparo
com a vítima que
sou, como todos, e
me impeço de
arrumar este
assunto, porque
como qualquer
um, não
gosto de assumir
que doí ser eu mesmo.

Que a verdadeira vida
não se passa sem colidirmos
fortemente, durante grande
parte do interstício do
ventre da mãe até ao
caixão, connosco e o mundo.
Que a única forma
de se ver lapidado à
sua imagem é
levando o corpo
e a alma às picaretas
da vida, na esperança
de quem sabe, sermos
mais fortes que ela...
E só com sorte
ficaremos terminados
como escultura antes
de morrer, apenas
para perceber que ainda
falta ser pintado...
Isto é viver
para quem
queira se
encarar
e para
quem não
o aceite
a sua vida
será sempre
injusta.

7/11/2015
Falta-me o ar em casa
pela manhã, não sei
que pensar, não sei
quem quero pensar
ser. Falta-me motivo
ao propósito, sei
que sou carne para
canhão mas para
quê?
Dispo sempre a
roupa para dormir
mais confortável
e agora visto-me para
sair à rua e não deixar
ninguém como eu
ao deitar.
Vou até ao lugar
onde os canais se
cruzam e inspiro-me!

Tusso ao te ver como
quem tosse depois
de quase estar afogado.
Penso no quanto queria
que fosse menos simbólico
pensar na minha vida.
Desejava ser algo
mais real que pudesse tocar-te.
Mas sou o ar que enche
as ruas de existir,
sou os suspiro
de todos os sonhos por
cumprir.

O café péssimo que bebo
só para te ver lembra-me
que a vida é injusta.
E o cigarro que acabo
de fumar o fim que
todas as coisas têm.
E pergunto o que
acabará primeiro...
Em que cais
param todas
as dúvidas?

3/11/2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Meu querido amigo
se a casa é tua
não penses que não
te molhas só
porque te escondes
da chuva.
O que é teu como
posse também é parte
de ti.
Lá porque não a vês
não significa que ela
já não molhe.
És mesmo egoísta,
finges que nada se passa
quando o resto das coisas
se molham à chuva.
Porque não dás casa
à tua casa para que
ela não sofram já que
te protege?
O que te tornou insensível
aos demais?
O que te fez perder o
tacto que vai além da tua pele?

Meu querido amigo
tudo o que sofre tem
de sofrer e alguém
tem de sofrer derradeiramente
para que tudo se aguente
pois não podemos construir
casa sobre casa sobre casa
nem podemos parar as nuvens
porque apesar de tudo nos
protege de morrer de sede.
Amigo, amigo o mundo
é necessariamente
injusto
e tu um mau júri,
um observador de crimes,
um impotente face ao
esquema moral da
vida, uma peça
tão descaradamente má
como subtilmente
boa.
Tão útil como dispensável.
És só, se não apanhares chuva
uma seca besta amável.

2/11/2015
Revolve-se em mim
o desespero duma
solidão imaginada.
Consumindo a tranquilidade
de que tudo isto pode
se revolver com um
respirar fundo, expirando
a dor que não sei se tenho,
mas fico-me por
suspiros insuficientes
do sem-vontade com
que os faço.
Como se só pudesse
albergar pouco
ar de cada
vez.
A altivez dos meus
melhores estados de
espírito sucumbe
quando os chamo
como um cão mal
educado que se
senta quando
lhe peço para vir.
E como sou mau dono
de mim mesmo,
cismo em tentar
me fazer obedecer
a sentimentos
para os quais não
me sinto pender.
Esta forma de me sentir
só sem o estar,
invade-me com mais
frequência nos
últimos dias, como
se anunciasse
uma gripe, pelo
nariz entupido
por mal respirar
e uma tosse por pouco
conversar.
Esta doença que não
sei  se tenho
preocupa-me ao ponto
de adoecer o pensamento.
Onde o raciocínio não
pode confortar
o que sinto,
fico por acalmar.
Talvez sejam dores
de amor, talvez por
não ter quem amar.
Talvez por ver aquela
rapariga no bar,
que não falei ainda
mais que por sorrisos,
deixa este frio no
meu peito por aconchegar.
Falarei contigo, sim,
quando estiver menos
doente, antes do poente
de te poder conhecer e
conquistar.
Não te aflijas porque
eu também não
se ainda não conversámos
os sorrisos que trocámos
são palavras do coração
e se só no conhecemos
depois do sol ser por
mantenho-te comigo
até de manhã e deixo
que luz te mostre
o meu amor.
Que sei que o tenho
como não tenho nenhuma
solidão e mesmo
que não me queiras
sei que tudo são
os devaneios da
minha imaginação.

1/11/2015
Tão frequentemente sou invadido por emoções que não parecem ser minha. E na mesma frequência sinto que tudo está ao meu alcance, como se fosse capaz de qualquer coisa a que me disponha fazer. Podia pintar e desenhar mas emolduro todas a minhas ideias neste caderno A5. Estou aberto a mais coisas do que creio estar.Sou invadido por vontades criativas dos mais variadíssimos campos da arte e filosofia e não tão somente eles me invadem como me conquistam e sinto-me apaixonado, fascinado por tudo que exalam as pessoas. Não tenho interesse pessoal e ponderado sobre isto, apenas sinto que é tudo também meu. Como se eu fosse, ao ver a criação e a vida diante meus olhos, a própria coisa que vejo. Eu como criador de tais obras. Mas sei que não o sou, sei só que absorvo e imagino tudo o que penso, longe de mim, no plano talvez de, pura criação e chego até a sentir que nada penso de facto porque não medito sobre nada em especial, apenas sinto, sinto ser invadido por coisas não minhas, talvez pela falta de coisas minhas. E a dada altura tenho de cuspir tudo no papel, pouco hesitando, pouco pensando sobre como será a melhor maneira de o fazer. Eu não sou escritor da minha imaginação e intelecto, apenas escrevo tal como o mundo me vai dizendo.

15/10/2015
Hoje doí-me existir. Ficar aqui neste sitio corporal que sou, enche-me de algo incompreensível como isto: a minha alma rejeita meu corpo como a cara a um piercing. Mas eu não escolhi existir, tal como não pude de facto escolher tudo que me aconteceu e fiz até hoje. Sou fraco perante mim como qualquer um, necessariamente, todos são. A vida passa e não me sinto ir com ela como um comboio no qual não entro por motivo nenhum. É isto morrer?
A faculdade virtuosa de ter paciência para mim parece impossível de atingir. Quero-me mais rápido, melhor, mais vivido, mais completo e quero-o tudo duma vez. Não há história mais bela de mim no mundo que a de não existir. E neste dia de sol e calor, em que já não compete ao sol acalorar desta maneira o dia, sinto-me sem temperatura... e não cumpro senão, além de estar vivo, o meu papel na Terra. É tudo que me peço e não trago surpresas, nem dias mais quentes a ninguém. Não me agrado. Não me aqueço, sou tudo o que não fiz sem fazê-lo, devo ser provavelmente uma pessoa imaginada.

14/10/2015
Sento-me e sinto-me aborrecido,
levanto-me e vejo-me sem força,
deito-me e espero que alguma
coisa me venha buscar.
Em viver há todo o tédio do mundo,
em não querer morrer já até o céu
da noite é um arco-íris.

14/10/2015
A que devo a minha apatia por mim? ao que já sofri? ou ao tudo que me falta viver face ao nada que vivi? Parece haver sempre mais, ao pensar na vida, que ao vivê-la. Se hoje estivesse para morrer amanhã, tudo o que faria no tempo que restasse seria mais que a minha vida. O que me resta então senão sentir o meu corpo impotente face à minha mente, ao meu sentir que o mundo que tenho é-me indiferente.
Não especto mais por nada, que venha de bom ou de mau, apenas a minha mente me alegra e o meu pensar me doí. Nem um amor oferecido de bandeja me faz sentir mais amado que com quem imaginando a ser amado esteja. Ainda que o aceite, sempre.
Nem a maior desilusão a que os mais próximos amigos estão propensos me causa uma inquietude tão grande quanto a de perder meus livros. Ainda que não sofra ao perdê-los.
Sei tão bem porque sou a minha doença, que só existe quando sobre ela a minha mente pensa que não sou um individuo de mim mas um de pertença. E todo o social divertimento que passo com amigos me deprime em solidão, ainda assim me arrisco a ter amigos e me dou de coração. Eu sou não querendo ser, aposto em ganhar quando sei que vou perder,o caminho de tudo já sei onde vai ter e sinto-me sincero quando estou só e sou apático na minha exclusiva presença sei tudo isto firmemente e ainda assim para outros lado pende e domina a minha mística crença de que tudo o que sinto e existe vai além da minha vivência.

14/10/2015
Encontrei, no meu primeiro relacionamento sério, ou o mais sério possível para um adolescente, o significado e a vivência duma paixão, tudo era possível entre nós, tudo tinha uma acordo, até o inconciliável e tudo isso era firmado sempre com sexo e o pós-carinho que normalmente nos conforta depois de nos darmos tanto e tão animalescamente. Fui traído e tudo caiu.
No meu segundo relacionamento, já mais sério, mas ainda da ordem de inconsciência de onde provêm os sentimentos de apego face à solidão que sentia, aprendi o sacrifício e a devoção, o preocupar-se com o outro mais que consigo, o meu quase ideal "amante perfeito"- apesar de não o ter chegado a colocar em prática e talvez tenha sido esse o motivo do fim, acrescentando a minha incapacidade de lidar com a rejeição, ainda que fosse um pedido inconsciente de ajuda.
No meu terceiro relacionamento, este já assumido de consciência na sua génese, por ter sido uma transmutação de amizade a amor, não lhe pude ter coerência do mesmo género ao longo dele, pelo sentimento de culpa por ter o anterior partir, fiz tudo o que pude para me manter perto dela e ela perto de mim. A um ponto que se tornou ineficaz fazê-lo, se é que alguma vez foi. Aprendi sem dúvida o valor do espaço próprio na relação, da individualidade face à partilha que é amar, pude ver em mim a mutação em o tal "amante perfeito", ainda que se tornassem  depois evidentes os erros desse meu ideal.
Com isto tudo compreendido, firmei recentemente a minha posição para com o amor (pode ser que seja recente face ao quão novo é o trauma);a de distanciamento. Não porque sofri demais, além daquilo que amar me poderia fazer feliz, mas porque me prende a criação artística. Amar é uma criação constante. Agora sou adepto da paixão porque ela nada me pede a não ser que me entregue, tal como a minha adorada poesia.

12/10/2015

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Procuro ser outros: os mais simples, os mais caóticos, mais longe de si mesmos e próximos dos outros, os melhores inseridos no mundo social e interpessoal- não por ser assim que quero ser intimamente mas somente pela curiosidade que certos, deste grupo maioritário, de indivíduos despertam pelo extremo em que se vivem. Quero sê-los para poder sê-los "melhor", ainda que só para mim, sem o praticar. Quero sê-los então em sentimentos, emoções, pensamentos e crenças para que possa escrever universalmente como eu sou como todos de maneira que todos que ser queriam entender me entendem.
Falo em poesia a linguagem da dor que em todos existe, a conquista de si mesmo, o método de atingir isso; consequentemente pelo gosto da análise e a importância que dou a todas as pequenas partes de um todo: as nuances de ir-se sendo, os avanços e especialmente os retrocessos no caminho da auto-descoberta e disto tudo parte o meu principal foco ao escrever: o sentir-se pouco si mesmo quando se busca precisamente isso, o recriminar-se por ver que se ainda é o que não se quer ser e a realização quase fria e distante de que nada disto importa, que é só mais uma forma de se dar bem no mundo mas neste caso no dar-se bem no seu mundo.

12/10/2015
Não sei que sei mais sobre mim que dos outros, mas é por sabe-lo tão firmemente que acabo por concluir que só posso saber assim dos outros porque já sei tanto sobre mim.

12/10/2015
Sei bem quando
a noite vem,
tudo em mim
se acalma
pela falta de
calor do sol
e tudo em
mim se
agita
como o
estático
vibrar das
sombras
à luz da lua
que me dão.
A noite vem
e de tudo o
que nela
existe
só tenho medo
do que sempre
existiu em
mim.
Não tenho mais
que uma escuridão
cá dentro, que
quando escurece
tenta juntar-se
à noite, rasgando-me
no processo.
Tenho em mim
ao anoitecer
simulacros
de morte.
Vozes barulhentas
que se fazem
ouvir como
um lobo uivando
à lua um
lugar distante,
tão longe de mim
que nem lhe posso
ter a certeza de ter ouvido.
Pode ser só o vento
a passar, posso
só ser eu por onde`
o vento passa
ecoando o meu
vazio.
Mas estará
esta doente 
escuridão
no âmago
de quem sou
e parece longe
porque não me
conheço ou
será somente
o lugar longínquo
para onde atiro
tudo que não
consigo lidar?
A noite trás tensão
e libertação
porque tudo o que
é fica simplificado
a sombras e caras
mal iluminadas
preocupando o
meu desconforto
por ser demasiado
fácil de olhar
o mundo e 
ainda sentir
o calor do sol
guardado na
pela.

Paixão é isto
mesmo.
Saudade é isto
também.
Este sou 
eu à noite,
escrevendo-me
de dia.
E só tenho pena,
sem ter pena
nenhuma que
seja um bicho
do dia, uivando
à lua, pedindo
um pouco de
sol
porque eu
ou a noite
somos demasiado
frios.

11/10/2015

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Apesar de ver
ser um sentido
não sinto em ver
o que sinto em
sentir.
Quando te vejo
sinto os olhos
a querer fechar,
não por me magoar
mas
por-me pesar.
Fujo talvez
do que te ver
desperta no sentir,
mas faço-o para escrever.
Por escolher confrontar-te
cá dentro.
Porque mesmo que não
o fizesse teria de algum dia o fazer.
Confronto dá-se
quando as coisas
colidem e tu
já estás numa trajectória
impossível de me
encontrar e
ainda assim te vejo.
E a minha trajectória
leva-me à tristeza
que já tinha quando
apareces.
O confronto é em mim,
reavivado pelo me sentir triste
quando te vejo, mas
ver é saber que o que
em mim doí não tem forma,
tem outras maneiras
de me atacar.
O confronto é comigo,
contra te ver não tenho
abrigo então fecho-me
em mim enquanto
ao te encontrar me sentir assim.

7/10/2015
Ok! Tudo
bem, fumo!
mas quem
sou eu?
Ok ok...
ganho algum
dinheiro,
mas quem
sou eu?
Sim claro...
já sou maior
de idade,
mas quem
sou eu?
Ok. mas
mesmo se tivesse
o 12º ano,
quem seria eu?
Opá claro, tentei
ser sempre simpático
e pacifico,
mas quem
sou eu?
Epá tá bem todos
temos altos e baixos
eu sei, mas
quem sou eu?
Ya sou obediente
enquanto me
competir, mas
quem sou eu?
Sim quero ter
filhos, mas
serei eu pai?
Percebes?
Nisto tudo
quem sou eu?
Posso estar saudável,
responsável de mim e
sustentar-me, educado
e esperto, ter tido amores
e ódios, e até
ter um filho um dia...!
mas nada disto
me diz quem sou.

7/10/2015
Se calhar tenho
uma cama demasiado
grande, se calhar
não uso a secretária
e uso mal a
cómoda, se calhar
guardo coisas a mais
na mesinha de
cabeceira e poucas
na cabeça.
Deixo quase sempre
no quarto pontas
soltas, coisas que
comecei a fazer,
outras deixei por
acabar e algumas
ainda nem cheguei
a tentar mas por
algum motivo
deixei-as todas
desarrumadas
ou nalguns casos
das coisas que são
minhas nem lhes
procurei arrumação em
mim.
Ponho música alto
quando não ouço
músicas até ao fim
e baixo o som
para desfrutar
um álbum inteiro.
Ser assim
desconexo
é querer das
nas vistas com
o que não vale
a pena ser visto,
ou neste caso
ouvido.

O que tenho feito
são as minhas
coisas, úteis
talvez... boas
talvez... certas
talvez... minhas!
não sei.

Sei quem fui
porque sei
onde estava,
como lá tinha
chegado porque
o tempo fazia sentido
e porque lá estava
é a junção de tudo
isto pensado
no futuro.
Presente não
sei nada, não sei
porra nenhuma.
Não sei quem
sou como protagonista
da minha vida
e nem sei se
dou o protagonismo
a mim mesmo.
Não sei bem que
lugar é este onde
estou mas não sou.
Nem nada disto
se cruza e ajuda
a ver-me
fora do tempo.
Por isso estou
neste quarto
e espaço mental
como o descrevi,
tentando
arrumar as coisas
escrevendo, olhando
para elas sem querer
no meu campo de visão
à volta do caderno, que
nem sequer na secretária
está, porque precisa
de ficar vertical
como se fossem as
minhas pernas
um cavalete
e tudo isto
valesse a pena
ser pintado.

7/10/2015
Estes dias que ainda não passaram têm
sido a batalha mais pacífica que
já tive. Quem pode dizer isto,
guerreando-se entre a realidade
lá fora e a verdade cá dentro?
Tenho feito promessas de paz das
mais cínicas que já foram feitas, e
não sei se das mais falsas também.
Em tudo que se tenta na vida por
um caminho específico fica-se
nas suas especificidades; como na
guerra a violência, no amor o carinho,
no treino a persistência, no querer
ser calmo a paciência, mas é
no seu pico mais intenso de experiência
de vida e envolvimento que as acções antagónicas
à situação vivida se revelam.
É um momento, que pode ser bastante extenso,
em que um silêncio abismal se
coloca entre a realidade e a verdade
do mundo externo com o interno.
É quando, se se perder o foco, podemos
perder a conquista. Se se olhar demasiado
para o abismo, lhe procurar um fundo e
ouvir o inaudível, imaginando
o que nos quererá dizer, esquecemos por
cair em nós mesmos o que desejávamos.
É exactamente quando declaro paz
ao meu inimigo que ele se pode
revelar forte demais para mim.
Porque é difícil ceder sem desistir,
porque não sei quanto tempo durará
o cerco à minha volta e a única
maneira de saber quantos mantimentos
tenho é consumindo-os até ao fim.
Estes dias que ainda não foram
são se ouvir o abismo os mais
barulhentos, há ainda em mim
uma voz ainda que não fale, há
ainda em mim tudo o que quero
ser, ainda que não seja o momento
de revelar.
               Há ainda um ponte
   que posso construir, a da
   verdade à realidade.

5/10/2015
Procuro sempre ao escrever a lucidez
do meu subconsciente, aparentemente
desiludido do que penso e sinto sem
reflectir sobre esses pensamentos
e sentimentos. Distraio-me com
estas coisas mais "verdadeiras" como
se mudasse o foco da minha dor
externa para a interna, até chego
a fingir dor no estômago para esquecer
o mau-estar das costas.
Sento-me e sinto-me mal, tenho a postura
errada em ambos e se as costas me
doem não é pelas costas me doerem
que estou mais ou menos certo no que sinto,
é por-lhes procurar uma causa
mais intrínseca de existirem
que encontro o motivo das minhas dores.
Desvio o que devo sentir do
que realmente sinto.
Tudo doí em existir, tudo doí
verdadeiramente ao escrever e só
assim posso saber que a realidade
das duas dores não está em querer
numa delas acreditar mas no apuramento
e confronto da dor externa e do
estar mal sentado serem o resultado do meu
mau posicionamento dentro de mim.
Sento-me torto porque sou torto.
Não é o estado consciente que me diz que
estou mal- esse trata só de lidar
com a realidade- é aquele que trata
de moldar a percepção da realidade
e que me diz se estou de acordo comigo
ou não. E tão pouco posso encontrar
na consciência quanto menos a
relacionar com o meu mundo interno,
que só é subconsciente porque não
o elevo ao lugar merecido, que só
me guerreio com o mundo e Eu
porque ele me é desconhecido.
Porque se dá mais importância a
"como"se lida com o mundo ao "porque"
se lida com o mundo, e em último
caso porquê este mundo?
Escrevo então para um resultado físico
analisável pelo consciente para conseguir
ter acesso ao que mascaro a mim
mesmo. E nessa máscara
talvez esteja o motivo pelo qual
me mascaro.

2/10/2015
Há ao levantar
da cama o
esforço adicional
de ter  a cabeça
pesada. Nuvens
de trovoada
chegam a pesar
9 toneladas!
E nunca chega
a chover...
Não me liberto
delas.
Há só a fricção
do que me pesa
com as paredes
de dentro da cabeça
e os trovões
resultantes
dão-me medo
dos meus sentimentos.
O que as levará
a jorrar pelos
olhos outra
vez?
Talvez este frio
no sentir que
sinto seja
demais para
que chova.
Tenho medo
ainda de
poder ficar
alagado.
Os esgotos
de mim estão
entupidos,
cheiro mal?
Dou sinais
disto?
Da má
gerência da
minha Natureza,
da minha falta
de coragem em
ser quem
sou?
Em sentir
como me
sinto?
Tudo que vivo
é ao colorir
duma caneta
preta, porque
não passa sol
através de mim.
Fica gravada
só a imagem
do meu mundo
a teu filtro,
nuvem.
Minha nuvem.
Tão desejada
nuvem...

Que sei eu
sobre mim e
de que vale
isso se a cada
momento que
me descubro
tenho de reordenar
e reformular tudo
o resto que já sabia?
Não há como saber
tudo, não existe
ser humano
que se conheça.
Ninguém é
igual a si mesmo.
Quanto mais
durante a sua
vida ser constante
em ser-se quem
é de modo que
possa se saber
quem é?

Tudo é confuso
ao ver e absoluto
ao sentir quando
nuvens de trovoada
não rebentam.
Tenho de esperar
até que um dilúvio
me venha limpar,
tenho que ser sempre
mais do que aquilo
que pensava que
podia suportar.

30/9/2015